Processamento Auditivo
Central pelo SUS
Ouvir bem não é só escutar. Quando o exame de audição dá normal mas a dificuldade de entender persiste, a investigação do processamento auditivo é o caminho.
Veja como agendar pelo SUSO que é o DPAC
O Distúrbio do Processamento Auditivo Central (DPAC) é uma condição que pode causar dificuldades na compreensão, interpretação e organização dos sons — mesmo quando a audição periférica está preservada.
Na prática, o ouvido capta o som normalmente, mas o cérebro tem dificuldade para processar essa informação. A pessoa escuta, mas não entende com clareza, especialmente em ambientes ruidosos.
Os sinais mais comuns incluem pedir para repetir com frequência, dificuldade de entender em sala de aula ou em ambientes com muitas pessoas falando, trocas na leitura e na escrita, desatenção aparente, dificuldade em seguir instruções longas e cansaço excessivo ao fim do dia escolar ou de trabalho.
Como funciona a reabilitação
O objetivo da reabilitação é desenvolver e aprimorar as habilidades auditivas alteradas por meio de treinamentos específicos e individualizados, respeitando as necessidades de cada paciente.
Durante os atendimentos, são trabalhadas habilidades como atenção, memória auditiva, concentração, escuta direcionada e compreensão da fala — contribuindo para melhor desempenho na comunicação, na aprendizagem e na interação social.
Os atendimentos podem ser realizados em sala convencional ou em cabina acústica, utilizando recursos terapêuticos específicos, materiais lúdicos, estímulos sonoros e audiovisuais.
O CEMEAR também atua de forma interdisciplinar, contando com profissionais de diferentes áreas para promover um acompanhamento mais completo e integrado. Além disso, familiares e escolas recebem orientações para auxiliar o paciente no dia a dia e favorecer seu desenvolvimento em diferentes ambientes.
Habilidades trabalhadas na terapia
O treinamento auditivo é montado a partir do perfil identificado na avaliação.
Atenção auditiva
Capacidade de manter o foco em um estímulo sonoro relevante e sustentá-lo ao longo do tempo.
Memória auditiva
Reter e recuperar informações recebidas pela audição — essencial para seguir instruções e acompanhar explicações.
Figura-fundo auditiva
Distinguir a fala relevante do ruído de fundo. É a habilidade que falta em quem 'não entende em lugar barulhento'.
Escuta direcionada
Selecionar e acompanhar uma fonte sonora específica entre várias disponíveis no ambiente.
Ordenação temporal
Perceber a ordem e a duração dos sons, habilidade diretamente ligada à leitura e à escrita.
Compreensão da fala
Integrar todas as habilidades anteriores para extrair sentido do que é dito, em diferentes contextos.
Orientação à família e à escola
Boa parte do resultado acontece fora do consultório. Por isso, o acompanhamento no CEMEAR inclui orientação sistemática a familiares e, quando autorizado, contato com a escola.
As recomendações costumam envolver adaptações simples e de alto impacto: posicionamento do aluno na sala, redução de ruído competitivo, instruções mais curtas e segmentadas, checagem de compreensão e tempo extra para processar informações.
Esse trabalho integrado é o que transforma o ganho obtido na terapia em desempenho real na sala de aula, no trabalho e nas relações.
Como acessar este serviço pelo SUS
O acesso é gratuito e regulado. Veja o caminho completo.
Procure a sua UBS
Vá à Unidade Básica de Saúde de referência do seu endereço e relate a queixa. Toda a porta de entrada do SUS passa pela atenção primária.
Receba o encaminhamento
Após a avaliação inicial, havendo indicação, o profissional emite o encaminhamento para o serviço especializado em saúde auditiva.
Aguarde a regulação
O agendamento é feito pela central de regulação do SUS, conforme os critérios e a fila da rede. O CEMEAR não agenda diretamente.
Compareça ao CEMEAR
Leve documento com foto, CPF, Cartão SUS e o encaminhamento. O atendimento é inteiramente gratuito.
Em caso de dúvida sobre o encaminhamento, fale com a nossa equipe pelo telefone (31) 3372-6631 ou pelo e-mail contato@cemear-mg.org.br.
Perguntas frequentes
A partir de que idade é possível avaliar o processamento auditivo?
A avaliação formal do processamento auditivo costuma ser realizada a partir dos 7 anos, quando as habilidades auditivas já atingiram maturação suficiente para os testes. Antes disso, é possível avaliar o comportamento auditivo e iniciar estimulação.
DPAC é a mesma coisa que TDAH ou dislexia?
Não, mas os sinais podem se parecer e as condições podem coexistir. Por isso a avaliação interdisciplinar é importante: ela ajuda a distinguir o que é dificuldade de processar o som do que é dificuldade de atenção ou de linguagem escrita.
Meu filho fez audiometria e deu normal. Ainda assim pode ter DPAC?
Sim — e esse é justamente o quadro típico. A audiometria avalia a audição periférica, ou seja, se o som chega. O DPAC diz respeito ao que o cérebro faz com esse som depois que ele chega.
O tratamento resolve?
O treinamento auditivo tem boa evidência de eficácia, especialmente em crianças e adolescentes, pela plasticidade do sistema auditivo. Os ganhos são mais consistentes quando há adesão à terapia e participação da família e da escola.
Adultos também são atendidos?
Sim. O processamento auditivo pode estar alterado em adultos e idosos, inclusive associado ao envelhecimento ou a perdas auditivas. O atendimento é destinado a pacientes de todas as idades.
Veja também
Exame auditivo pelo SUS
Inclui a avaliação do processamento auditivo central entre os procedimentos ofertados.
Saiba mais →Reabilitação auditiva
Terapia fonoaudiológica para desenvolvimento das habilidades auditivas e de linguagem.
Saiba mais →Reabilitação do zumbido
Tratamento para quem convive com sons no ouvido sem fonte externa.
Saiba mais →Escuta, mas não entende?
Se há dificuldade de compreensão em ambientes ruidosos, queda no rendimento escolar ou pedidos constantes de repetição, vale investigar. Procure sua UBS e solicite o encaminhamento.
Veja como agendar pelo SUS